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A história das (O)Varinas

Mulheres de temperamento audaz, sem rodeios ou “papas na língua” e com aura de donas de toda a rua, transportavam o seu peixe de canastra à cabeça.

“Oh viva da costa.

Olha a sardinha, é vivinha da costa.

Há carapau e sardinha linda.

Há Carapau fresquinho, olha o carapau para o gato.

Ó freguesa desça a baixo.

Ó freguesa leve um quarteirão, é fresquinha a minha sardinha.

Tenho Chicharro lindo, carapau, pescada fina.”

A Pesca como parte da Economia

Num país à beira mar plantado, a tradição das pescas em Portugal parece algo deveras intemporal. Desde sempre, esta foi uma das nossas principais atividades económicas, num país onde a costa é abundante, em extensão e em vida marinha, e não faltam estuários, lagunas e sapais montados pela natureza. 

Com estas condições, não só a pesca, mas também atividades como a construção naval, a cordoaria, a tanoaria ou a extração de sal tornaram-se parte vital de uma economia assentada, em grande parte, na sua zona mais litoral. Com estas artes surgiram os seus protagonistas, e com as práticas piscatórias surgiram não só os pescadores, naturalmente, mas também uma figura que não pareceu nascida para ser secundária: a varina.

A Origem

Originais da Beira Litoral, as vendedeiras de peixe ambulantes remontam ao século XIX e foi em Lisboa que começaram a dar (verdadeiramente) nas vistas, com os seus trajes característicos e os pregões que captam a atenção até do mais desatento transeunte. 

Dentro da esfera pública, de domínio masculino que vigorava na época, as varinas captaram o seu lugar, de encanto e de respeito, por mérito próprio, com a sua atitude asseverada e sem preconceitos manifestos, e o seu carácter desembaraçado de viveza afiada.

Exuberâncias e Migrações

Os seus maneirismos ficaram também marcados no imaginário social. António Miranda, do Museu de Lisboa, descreve: “(…) criam uma atmosfera muito particular na Beira Rio. Por um lado, há uma certa exuberância, uma exuberância nos modos de andar da comunidade, muito feminina sobretudo. Nos modos como anda gingando as ancas, no modo como fala, no pregão cantado. (…) E na gritaria constante em que, de facto, a vida na Beira Rio se desenvolvia”.

Chamadas originalmente de ovarinas, estas eram maioritariamente das zonas de Ovar e outras localidades do distrito de Aveiro e foram para Lisboa em busca de trabalho. Só mais tarde o tempo deixou cair a primeira letra da sua designação (ocultando também assim a origem destas migrantes), e o seu nome simplificou-se de forma a uniformizar também a tendência de um estilo de vida que passou as suas fronteiras iniciais para se espalhar pelo país fora.

As vilas piscatórias, à beira rio/mar

Depois de instaladas nos bairros da Madragoa ou de Alfama, entre outros, geralmente, o seu trabalho começava quando terminava a faina dos pescadores, muitas vezes seus maridos ou outros familiares diretos. 

Estas famílias acomodavam-se, em grande parte, em vilas piscatórias – comunidades que foram ganhando cada vez mais relevo enquanto a tradição portuguesa pelo mar e as pescas se ia desenvolvendo -, com os seus pequenos barracos de arrumos para material de pesca, bancos deteriorados pelo sol usados enquanto remendavam as redes e, em suma, pequenas habitações pitorescas, de entalhes náuticos e de carácter puramente prático para aquelas gentes que faziam a sua vida no mar, ou através dele. 

As vilas de pescadores rapidamente “saíram” da capital e podemos, hoje em dia, encontrar centenas de exemplos espalhados pela costa litoral portuguesa.

O Perfil

Mulheres de temperamento audaz, sem rodeios ou “papas na língua” e com aura de donas de toda a rua, transportavam o seu peixe de canastra à cabeça, e a sua mão à cintura é já imagem icónica da sua identidade. 

Na rua, a sua presença era mais do que notada – era notória -, e os seus pregões e lestas respostas revestiam-nas de fascínio e, assim, fonte de inspiração para inúmeros meios artísticos – inclusive nos Tapetes Floridos mencionados aqui – que fizeram questão de eternizar este verdadeiro símbolo, não só lisboeta, mas português e intemporal.

O Perfil

António Miranda traça-lhes ainda mais o perfil: 

“Esta personagem da varina acaba por chegar a um universo cinzento, muito conservador e a maneira como ela se comporta na rua é contrária a todas as normas daquilo a que a cidade está habituada. Evidentemente não falando das mulheres da vida, aqui estamos a falar de uma comunidade trabalhadora que se apropria desse espaço urbano como sendo o seu território, o seu território natural. Isso faz totalmente a diferença”.

Na voz da(s) própria(s)...

Relatos de vendedeiras de peixe dos dias correntes fazem saber das mudanças que sofreram os tempos e as suas condições de vida, e com eles mudou também a figura da varina, agora relegada ao mercado e cada vez mais distante da sua personificação de outrora: 

“Antigamente era a canastra à cabeça, depois é que foi para o carro. Agora temos ali o mercado em Ovar. Uma pessoa levantava-se às 5h30/6h da manhã para a gente ir a pé para o Furadouro, para ir buscar o peixe, com a canastra à cabeça”, recorda uma antiga varina, saudosa de outros tempos e costumes.

Coleções e Produtos

Para homenagear este mesmo símbolo, a Letheshome criou a coleção Varinas Floridas (veja-a aqui) e produziu dois designs de capas de almofada com referência direta às varinas. A coleção está disponível em artigos para a sua mesa, sala, cozinha e quarto, bem como se estende às tão apreciadas écharpes tradicionais e aos (mais contemporâneos) tote bags

A referida coleção rapidamente se tornou um best seller, provando o apreço e fascínio que o público nacional nutre por estas figuras encantadoras.

“Ó varina, passa,

passa tu primeiro!

Tu és flor da raça,

A mais séria graça

Do País inteiro”

Aconselhamos vivamente a visualização do seguinte documentário, produzido pela Câmara Municipal de Lisboa, onde podemos encontrar um leque enorme de fontes, audiovisuais e documentais, sobre a figura da varina enquanto mulher, mãe, trabalhadora e, indubitavelmente, um símbolo da capital e do próprio país.

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